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Graduações organizaram palestras no segundo semestre, aproximando os alunos de discussões pertinentes a cada campo

Da formação que prepara docentes e colaboradores para um novo semestre ao seminário que encerra os eventos do ano, abordando direitos humanos. Do congresso com mais de 24 encontros, reunindo palestrantes das mais diversas áreas da Psicologia ao encontro internacional marcado pelas muitas vozes de povos originários em seus lugares de fala. Do olhar para o profissional T-shaped de Administração ao olhar para o currículo do futuro internacionalista. Da palestra sobre metaverso, presente em três das programações, à maratona de programação que fez alunos lançarem satélites em pleno Unilasalle-RJ. Confira nesta matéria como foram as semanas de eventos organizadas pela reitoria e pelos cursos de graduação em 2022.2.

SEMINÁRIO PEDAGÓGICO 2022.2

Em agosto, toda a equipe do centro universitário participou do tradicional Seminário Pedagógico. O evento, com duração de uma semana, tem o intuito de preparar os colaboradores, sejam eles administrativos ou docentes, para o início do semestre letivo. Desta vez, além dos momentos de espiritualidade para trabalhar o carisma, a perspectiva de que somos Rede foi reforçada pela presença do Irmão Provincial, Olavo José Dalvit. Dalvit é o nome por trás da coordenação dos lassalistas na região Brasil-Chile e se mostrou satisfeito ao acompanhar a expansão da infraestrutura das três unidades La Salle em Niterói. No dia 2 de agosto, ele fez parte de um tour pelos novos espaços educativos do Colégio Abel, da Escola La Salle RJ e do Unilasalle-RJ, além de participar das celebrações pelos 20 anos do centro universitário.

  1. RELEMBRE AQUI

No que diz respeito às palestras do Seminário, os docentes puderam discutir juntos sobre a inclusão no ensino superior, durante uma capacitação mediada pelas coordenadoras do Núcleo de Atendimento Psicopedagógico ao Estudante (NAPE), as professoras Patrícia Pacheco e Rachel Colacique. O capacitismo foi combatido na ocasião. “É comum acharmos que as pessoas com deficiência não darão conta de suas atividades, que são dependentes, não possuem voz própria. A deficiência não exclui a pessoa, as habilidades que ela possui”, afirmou Rachel.

Fazendo jus ao caráter pedagógico do evento, a Pró-Reitora Acadêmica, Regina Helena Giannotti, resevou um tempo para orientar os coordenadores das graduações a respeito da Remodelagem Acadêmica. O processo já está em andamento e envolve a renovação da grade curricular dos cursos. A atualização é necessária em um mundo em constante mudança, no qual a realidade física e a virtual se entrelaçam. Coordenador do curso de Sistemas de Informação, o docente Thiago Souza ministrou uma palestra sobre metaverso. O espaço coletivo que contempla a realidade virtual e a aumentada, já é tema dentro e fora dos espaços educativos, e diz respeito a muitas ações por parte de empresas desde o ramo da moda até o alimentício, o que intensifica a demanda em compreender mais sobre esse universo.

Confira fotos do Seminário Pedagógico 2022.2

II CONGRESSO DE PSICOLOGIA (CONPSIC)

II CONGRESSO DE PSICOLOGIA

Após uma bem-sucedida estreia em 2021, o Conpsic chegou à sua segunda edição entre os dias 22 e 27 de agosto com uma programação ainda mais robusta. Ao todo, os alunos puderam acompanhar 24 palestras além de participar de oficinas e minicursos. Confira abaixo alguns destaques do congresso:

A psicologia como meio de combate à violência
Quais as sequelas da violência quando as vítimas são menores de idade? Ana Claudia Peixoto, coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Violência contra Crianças e Adolescentes (LEVICA), da UFRRJ, se depara com inúmeras delas em seu dia a dia profissional. Além de discussões no grupo de estudos e pesquisas relacionadas ao tema, Ana Claudia e sua equipe promovem encontros terapêuticos com o objetivo de acolher essas vítimas e contribuir para a eliminação da negligência, da discriminação, da exploração, da violência e da opressão.

Na manhã do dia 26 de agosto, ela iniciou sua segunda participação no Conpsic, desta vez para apresentar a Teoria do Esquema, cuja aplicação com adolescentes tem estado sob sua supervisão no LEVICA. O Esquema é um modelo da psicoterapia cognitiva desenvolvido pelo psicólogo estadunidense Jeffrey Young e integrado por algumas variáveis. “Uma vez que o adolescente está em um ambiente que não oferece condições para que ele se desenvolva ou possa se dar conta de suas necessidades emocionais básicas, isso vai afetá-lo de modo geral, incluindo o seu senso de pertencimento”, explicou a palestrante, que ainda chamou atenção para a atuação dos psicólogos frente aos desafios que se impõem neste cenário:

“Nós, como profissionais com interesse em promover e estabelecer a saúde mental, precisamos desenvolver ações para fortalecer relacionamentos. Precisamos falar sobre fatores de proteção que colaboram para diminuir a violência em alguns contextos no Brasil. No LEVICA, temos desenvolvido uma série de ações que buscam justamente isso, aumentar e conseguir concretizar esses fatores. Atendimento individualizado e fortalecimento de rede são exemplos de atividades que podem proteger essas crianças”.


Num país em que crianças e adolescentes são as que mais sofrem violações, trabalhos como o do LEVICA se mostram fundamentais. E a ação é inseparável da análise de cenário. Docente de Psicologia da Universidade Federal do Amazonas, o conferencista Marck Torres trouxe um panorama ao Conpsic, com dados e estudos levantados durante o seu doutorado e através da experiência empírica no Centro de Referência de Assistência Social, o CRAS. Tratando especificamente da violência sexual contra esse público, o palestrante pontuou déficits na tomada de decisões.

Um deles é o ceticismo, característica presente na sociedade como um todo e também no rol de profissionais da área. O docente explicou que adolescentes do sexo feminino não só sofrem violências como sofrem com o descrédito de seus relatos. “Há certa tendência a credibilizar o discurso de uma criança, mas, infelizmente, há uma grande dificuldade de dar crédito quando são adolescentes”, atestou. Uma das hipóteses é o costume de responsabilizá-las “por seduzirem o agressor, se colocando em situação de risco. Essa atitude de descrença tem um viés cultural de gênero”.

Psicologia e seus diferentes caminhos
No quarto dia de congresso, o Centro de Convenções Ir. Amadeu contou não apenas com a presença de pessoas, mas também do chamado melhor amigo do homem. A ação dos cães guia é um importante meio de inclusão de pessoas com deficiência, seja ela física e/ou intelectual. Indivíduos privados da visão foram o epicentro do debate na palestra de George Harrison, instrutor de cães guia do Instituto Magnus. “É inegável como a Psicologia trabalha assuntos que podem se associar aos cachorros. Eu acho, inclusive, que os cães estão muito mais próximos de nós em questões psíquicas. A base teórica que a Psicologia oferece serve para o trabalho com esses animais”, defendeu Harrison.


Se a certeza ecoou pelo auditório na palestra das 19h30, às 20h30 uma pergunta se instaurava: “Será que já podemos falar de pós-pandemia?", instigou a psicóloga e doutora em Psicanálise, Saúde e Sociedade Evanir Figueiras. Os desafios da prática clínica neste possível tempo percorreram os minutos de sua fala. A palestrante comentou sobre as experiências vividas no isolamento que geraram sequelas, agora percebidas e trabalhadas nos atendimentos: “Famílias de modo geral tiveram que conviver somente entre eles o tempo todo, descobrir como é conviver, pois antes estava tudo muito diluído em facilidades. Durante a pandemia não puderam sair, ir ao shopping, viajar. Esse imperativo do ‘não pode’ foi duro e esses desafios estão aparecendo para nós, da área de Psicologia Clínica”.



Confira fotos do II Congresso de Psicologia

SEMANA DE ADMINISTRAÇÃO

A chegada do mês de setembro marcou o início de mais uma semana de eventos, a do curso de Administração. O reitor, Ir. Jardelino Menegat, abriu a programação no dia 5 aludindo à vida dos discentes. “Vocês escolheram uma graduação que é importante para administrar o desenvolvimento do país, mas isso precisa começar pela gestão pessoal, porque um bom gestor precisa ser primeiro um bom gestor de si mesmo”, atestou. No caso de Yasmin Maudonet, a gestão da vida acadêmica culminou com o maior Coeficiente de Rendimento de sua turma e o certificado de Mérito recebido naquela mesma noite das mãos do Presidente do Conselho Regional de Administração (CRA), Wagner Siqueira.

  1. Conheça aqui a história de Yasmin

A primeira palestra teve início logo após a homenagem. Reinaldo Silva, mestre em Educação pela UERJ, fez um breve resumo sobre as fases de evolução da modernidade, conectando-as com alguns marcos da profissão, como a criação do CRA ao final da Revolução Industrial. O mote de sua palestra foi conjugar o passado, o presente e o futuro tanto da Administração quanto da formação nesta área: “Eu lembro de ficar horas na matéria de Processamento de Dados para dar conta de uma programação que hoje uma simples calculadora tem aplicativo para fazer. Os meus mestres, que são os meus alunos, me ensinam muito. A partir de trabalhos que eu passava, vinha toda a tecnologia agregada me deixando curioso para aprender”.


Para além dos muros da universidade, há um vasto campo de atuação que passa pelo mercado financeiro. Esse segmento foi abordado por Carlos Cova, doutor em Engenharia de Produção pela UFRJ, numa palestra com foco na bolsa de valores. “Não existe uma regra operacional para ganhar dinheiro na bolsa, se existisse ela não seria ensinada. Mas surge a pergunta: ‘Por que estudar Finanças, afinal?’ O que funciona é o conhecimento acumulado, é a experiência casada com as informações. A partir delas evitamos tomar decisões em pânico ou influenciados pelo modismo, além de sabermos aproveitar as oportunidades”, afirmou na ocasião.


A Semana de Administração contou com um dia dedicado a palestras da empresa Conexão Talento. Em uma delas, os graduandos puderam se familiarizar com o conceito de T-Shaped, o profissional que detém o conhecimento específico, mas também abarca a multidisciplinaridade, não limitando sua carreira a uma única competência ou habilidade. Ao fazer um trabalho misto, que mescla tanto o caráter de especialista quanto de generalista, o futuro administrador assume a flexibilidade almejada por tantas empresas, além de possuir uma visão mais eficaz do mundo corporativo.


Confira fotos da Semana de Administração 2022.2

SEMANA DE TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Nos dias 27, 28 e 29 de outubro, foi a vez de os alunos de Sistemas de Informação imergirem na Semana de Tecnologia. Uma das palestras de destaque versou sobre assunto já citado nesta matéria: o metaverso. O tema apresentado pelo professor Thiago Souza aos colaboradores no Seminário Pedagógico foi aprofundado quando a fala era voltada aos, em breve, colegas de profissão. O coordenador de SI explicou que, embora esteja em processo de evolução, esse conceito pode ser definido como um espaço coletivo, virtual e compartilhado, constituído pela soma de realidade virtual, da realidade aumentada e da internet. É o mundo em que figuram hologramas e avatares, para além de novas possibilidades de interação. Empresas bem-sucedidas já embarcaram na experiência, como a Coca-Cola (lançou uma versão para o metaverso chamada Coca-Cola Byte. A empresa de bebidas criou um sabor específico de refrigerante para ser lançado dentro do jogo Fortnite, antes de ganhar uma versão no mundo físico). Já a Boticário, criou uma loja no metaverso, alcançando em um mês cerca de 3 milhões de visitantes. O consumidor navega pela Boticário após criar o seu próprio avatar e passa a interagir com os produtos nas prateleiras, fazendo desde a avaliação dos preços até a compra de produtos, recebidos em casa. “É importante salientar que existem dois tipos de comércio no metaverso”, explicou Thiago, “O primeiro como o da Boticário, em que você observa e adquire itens virtuais, recebendo um produto real. E existem lojas em que você compra produtos exclusivamente digitais, como um tênis para o seu avatar”.


Comercialização, participação em shows e até mesmo em eventos religiosos são algumas das possibilidades no metaverso, mas as descobertas não se limitaram a este assunto nos três dias de eventos. Um dos momentos mais aguardados pelos alunos foi a volta da maratona de programação, o Hackathon, desta vez intitulado II CanSat Rio by ED. Os alunos passaram horas se dedicando à construção de nano satélites para serem lançados no estacionamento do Unilasalle. Com essa meta, eles precisaram fazer cálculos, estudar as melhores soluções tecnológicas para as missões propostas, projetar os satélites (os chamados CanSats), garantir a comunicação entre as criações e o drone, construir paraquedas, testar a aterrissagem. “Neste processo, os alunos aprendem a trabalhar em grupo. O Hackathon é uma atividade muito intensa no sentido de ter que fazer muitas coisas em pouco tempo, então eles precisam se dividir e confiar uns nos outros. Além disso, não envolve somente o desenvolvimento de softwares, mas atividades manuais, práticas que chamamos de cultura maker. Eles estão produzindo paraquedas com guarda-chuva, usando latas para criar os satélites. Uma característica importante desta formação é ser autodidata. Muitos são alunos de 1º período e estão tendo contato com essa tecnologia pela primeira vez”, explicou Thiago Souza.


Uma vez lançados, os nano satélites precisavam medir temperatura, pressão atmosférica e altitude como missão primária e como missão secundária descobrir qual a concentração de gases poluentes no ar. Segundo critérios de avaliação, cada uma dessas medições contabilizava 0,5 ponto para a equipe que conseguisse cumprir o desafio. E sempre utilizando o wi-fi como meio de comunicação. Os grupos puderam contar com a mentoria de dois experts: os egressos Gustavo Duarte Muniz e Mateus Torres Ferreira, medalhistas de ouro da Mostra Brasileira de Foguetes 2022.


O graduando Lorran Tito foi um dos participantes do Hackathon. Em entrevista ao site do Unilasalle-RJ, ele deu seu depoimento sobre o que viveu naquele sábado e como a maratona impactou seu processo de aprendizagem: “As propostas trazidas foram bem legais, elas renovaram a energia tanto da galera que está chegando, os calouros, quanto dos que já estão terminando. Foi uma forma de acender uma brasa que faltava, eu particularmente estou sentindo isso. Acho que a experiência profissional e a acadêmica foram desenvolvidas porque muito do que vivenciamos aqui é o que encontraremos lá fora, a questão de ter que lidar com erros, com equipe, ter paciência para dar explicações e estar de ouvidos abertos para também escutar orientações”.

Como toda competição, a maratona de programação precisava ter vencedores e nesta não foi diferente. Ao final das apresentações, foi realizado um somatório das pontuações de cada grupo. Ao todo, cinco equipes construíram seus satélites e as três melhores foram premiadas com uma medalha. Confira o ranking:

3º lugar: Grupo 5 - formado pelos alunos Leandro Santos, Otávio Magelhães, João Bione, Pedro Victor, Otto Lehmann, Guido Sanches, Rebeca de Macedo e Gabriel Eike.
2º lugar: Grupo 2 - era formado por Ana Beatriz, Pedro Guimarães, Dimitri Costa, Raphael Rivas, Eliza Lima, Newton Lomar, Pedro Henrique Lopes e Lucas Moreira.
1° lugar: Grupo 4- composto por Mariana Vigorito, Rayssa Cabral, Gabriel Brito, Letícia Nunes, Luiz Roberto Garrahan, Carolina Canelas, Gerson Durães e Matthew Araujo.

Confira as fotos da Semana de Inovação e Tecnologia 2022

III ENCONTRO INTERNACIONAL DOS POVOS ORIGINÁRIOS DAS AMÉRICAS

Se no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2022, os povos tradicionais brasileiros (PCTs) foram tema da redação, no Unilasalle o protagonismo que lhes é devido vai além da sala de aula. A cada nova edição do encontro promovido pelas licenciaturas no segundo semestre, os povos originários, que integram os PCTs (a sigla abarca ainda ciganos, povos de terreiros, quebradeiras de coco babaçu, quilombolas, entre outros), são não só assunto como possuem espaço de fala. Na terceira edição do evento, entre os dias 24 e 28 de outubro, palestras e mesas redondas se somaram a oficinas, minicurso e a uma visita guiada ao Museu do Amanhã, pela exposição Amazônia, do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado.

Originário remete à ancestralidade, mas não condiz encerrar no passado ou em estereótipos os mais de 305 povos indígenas que habitam esta terra (segundo o Censo de 2010). Eles estão nas aldeias, nas florestas, mas também em Brasília, na universidade, na casa da cidadania. “A luta indígena não é fácil, é tolhida de todas as formas por falta de espaço. E tudo o que conseguimos é na marra”, atestou uma das palestrantes convidadas, a Dra. Namara Gurupy, mulher da etnia guajajara e integrante da Ordem dos Advogados do Brasil-Niterói. Suas palavras no encontro representaram rompimento com um imaginário historicamente construído: “Minhas raízes estão na reserva, o meu povo está lá, mas eles não são os índios do livro; são pessoas, seres humanos, que sobrevivem. A caça está acabando, o rio está secando e precisamos despertar a consciência ambiental. Minha tribo tem cerca de 2.500 indígenas, falam guarani e o meu pai era o cacique. Foi um dos primeiros a ingressar nas Forças Armadas por meio do Marechal Rondon. Hoje temos professora, advogada, médica, mestres, doutorandos. Somos aldeados, integrados e em fase de integração”.


Ainda na noite do dia 24, os discentes puderam refletir a respeito da intolerância religiosa que os povos originários sofrem desde o período da colonização. Coube a Cris Papiõn, coordenadora do Observatório Cultural das Aldeias e ex-integrante do Conselho Estadual de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa, assumir a temática. “É um assunto que começa em 1500, com a chegada dos europeus aqui, sem compreenderem que já havia populações indígenas com suas sociedades civis feitas em conjunto. Eles não compreendiam que cada pintura étnica é um povo, que cada cocar é um povo, que não eram etnias, mas sim nações indígenas”, defendeu.

Cris explicou ao longo de sua participação algumas das ações feitas em âmbito estadual e nacional para combater o preconceito e coibir crimes contra a população indígena, como o voto de cabresto em algumas aldeias do Norte. E também relembrou sua própria trajetória: “Minha militância começa na Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, que tinha todos os pertencimentos étnicos, exceto o indígena. Então, essa foi a primeira luta: conseguirmos o pertencimento do indígena. Tudo o que já foi construído eu lembro com muito carinho, portas que não imaginávamos e hoje estamos abrindo, como hoje estar dentro de uma faculdade para falar sobre esse assunto. Nós somos elos de ligação do passado, estamos no presente e salvamos o futuro”.


Nascida no Oiapoque-Amapá, Cris Papiõn retornou à sua terra natal em 2013 em busca das raízes indígenas. Thaynara Macuxi, por sua vez, não só resgata a sua própria história como agora está pronta para assumi-la. Graduanda de Pedagogia no Unilasalle, ela é neta de um indígena aldeado que migrou de Roraima para o Rio de Janeiro. Thaynara é parte do povo Macuxi, mas por muito tempo não quis assumir este sobrenome, por receio do preconceito. A participação remota no I Encontro Internacional dos Povos Originários representou um primeiro movimento no sentido contrário: “Lembro de pensar ‘Nossa, que legal, ninguém aqui caçoa do índio. Ninguém aqui fala mal do índio, muito pelo contrário’. E aquilo me chamou atenção”. Cursar a disciplina História e Cultura Afro Brasileira e Indígena, ministrada pela docente Cecilia Guimarães, significou se voltar de vez à identidade étnica que a constitui.


O que aprende neste processo a indígena urbana já passa de alguma forma adiante, em sala de aula, no município de Maricá. É também lá, terra de duas aldeias indígenas (Tekoa Ka’aguy Hovy Porã e Ara Owy Re), que Thaynara começa a se dar conta de um problema fundamental na educação básica. Apesar do Marco Regulatório da Constituição de 1988 assegurar às comunidades indígenas o uso da língua materna no ensino fundamental, na prática esse direito não é efetivado. “Há uma escola que adotou a alfabetização desde o 1° ano na língua portuguesa e outra que decidiu fazer isso a partir do 4°ano, para preservar a língua materna. Mas quando os alunos desta segunda escola vão para outros colégios a partir do 5° ano, eles sofrem com o racismo indígena. A exclusão parte até mesmo das próprias crianças, uma vez que esses espaços não indígenas não estão preparados para recebê-los. Infelizmente, por consequência dessas situações, há muita evasão escolar”, explicou a futura pedagoga, que ainda complementou:

“Nesse cenário, há as escolas que reproduzem e perpetuam os estereótipos, o racismo, o silenciamento e a banalização. Quando você não trabalha a história dos povos originários na escola, você fragiliza e minimiza a luta desses povos, histórica e contemporaneamente”.


Confira fotos do III Encontro Internacional dos Povos Originários das Américas

XVII SEMANA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

O curso de Relações Internacionais é um parceiro recorrente na organização do Encontro dos Povos Originários. No entanto, essa graduação também teve uma semana para chamar de sua em outubro. Dos dias 3 a 7, alunos e docentes puderam emergir numa troca de conhecimentos a respeito de assuntos diversos pertinentes à área, indo desde o meio ambiente até a geopolítica do Oriente Médio. A programação contou ainda com cine-debate e visita guiada ao Museu do Amanhã.

Um destaque desta edição foi a oficina de currículos voltada ao mercado de trabalho em Relações Internacionais, ministrada por Fernanda Nanci, coordenadora e docente do curso. “Percebo que muitos alunos não têm a sensibilidade para entender o que os empregadores buscam ver no CV (curriculum vitae). A maior dúvida é sobre quais informações inserir, que tipo de cursos extracurriculares são importantes de ter para se destacar no mercado e como tornar o currículo atrativo como um primeiro cartão de visitas”, explicou Nanci.

A oficina, além de auxiliar os alunos a se destacarem já nas primeiras etapas dos processos seletivos, também foi relevante para sinalizar o que os recrutadores e as organizações de modo geral esperam deles, ou seja, quais são as soft e hard skills requeridas dos graduandos. “O cenário em RI está muito positivo atualmente. As aberturas de vagas de estágio são constantes e, como coordenadora, tenho sempre enviado oportunidades para os alunos, em especial em empresas na área de Comércio Exterior e Logística Internacional”, celebrou a professora.

Esses cenários demandam compreensão, pois a geopolítica mundial influencia nas relações comerciais, sendo assim, ela foi destaque nas palestras, com o intuito de discutir as ações de determinados países que causam impactos a nível global. No dia 5 de outubro, a palestra Taiwan e a interação estratégica entre China e Estados Unidos foi seguida pelo debate sobre os dilemas das relações sino-russas e a invasão da Ucrânia, dois assuntos que foram parar nos noticiários em 2022. Em agosto, a visita da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, a Taiwan foi mal recebida pela China, que reivindica a ilha como sua. Meses antes, em fevereiro, o presidente russo Vladimir Putin ordenou a invasão russa à Ucrânia dando início a uma guerra que já deixa mais de 240 mil mortos.

Confira fotos da XVII SEMANA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

V SEMINÁRIO INTERINSTITUCIONAL E INTERNACIONAL PARA A EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS

Com uma programação já consolidada, o Seminário Interinstitucional e Internacional para a Efetivação dos Direitos Humanos na Contemporaneidade chegou à sua quinta edição no dia 31 de outubro. Diferentemente dos outros anos, no entanto, a abertura do evento não aconteceu no Unilasalle-RJ e sim em uma das instituições parceiras, a Universidade Federal Fluminense. O Salão Nobre da Faculdade de Direito foi o local escolhido para o debate do painel de abertura, intitulado Garantismo processual e direitos humanos. O garantismo, abordado na ocasião, é a doutrina voltada à preservação dos direitos dos cidadãos, e foi tratado pelo professor Luiz Calixto Sandes a partir da perspectiva do jurista Eduardo Costa. Lilian Cazorla, colega de Calixto na comissão sobre o tema na OAB/RJ, foi a segunda palestrante da noite e falou sobre as críticas garantistas no Código de Processo Civil de 2015.

O painel de abertura foi também uma oportunidade de defesa da pesquisa e das instituições. “Num país com tão pouca memória e de tão pouca tradição acadêmica, nós chegarmos ao quinto ano de uma parceria institucional é motivo de comemoração. Somos uma faculdade pública, o Unilasalle-RJ é uma faculdade confessional, mas o que nos irmana é o compromisso de levar ao nosso estudante a realidade social e buscar a produção do conhecimento com base científica, com raciocínio crítico”, sinalizou Fernanda Pontes Pimentel, diretora da Faculdade de Direito da UFF. Tatiana Trommer, coordenadora do curso de Direito do Unilasalle, reforçou as palavras de Fernanda e aludiu aos desafios vencidos neste tempo: “São cinco anos de parceria, com quatro livros lançados, vários artigos publicados e muito engajamento por parte de professores e alunos; tudo isso num governo em que nós tivemos um desmonte das universidades, da pesquisa, do MEC, da CAPES. As pessoas não querem que nós pensemos, apenas quando o conhecimento vem ao encontro do que interessa a elas. A pesquisa é exatamente a abertura à contradição; podemos confirmar uma ideia prévia ou, a partir da investigação, nos darmos conta de que não era nada daquilo que acreditávamos”.

Os alunos que participaram do seminário tiveram a chance de praticar a pesquisa a partir da elaboração de resumos expandidos e da apresentação em um dos Grupos de Trabalho. No dia 1º de novembro, as salas do 7º andar do Unilasalle se tornaram abrigo para discussões sobre Direitos Sociais e Direito do Trabalho, Educação e Direitos Humanos, Direitos Humanos e Sistema Penitenciário, Crise Migratória e Direitos Humanos, entre outros temas. Desta vez, além dos encontros presenciais, houve também GTs remotos. Por trás da porta da sala 702, o professor Marcelo Almeida, um dos organizadores do Seminário, acompanhava a troca de ideias do GT 11 Sociedade Plural, Direitos Humanos e Consensualidade, pelo computador. Já a sua esposa, a bacharel em Direito e graduanda em Pedagogia Nicole Rivello, argumentava em uma sala 704 lotada sobre o dever constitucional do Estado de assegurar vagas em creches para crianças de até 5 anos, um direito garantido pelo Supremo Tribunal Federal em setembro de 2022.


Confira fotos do V Seminário Interinstitucional e Internacional

Por Luiza Gould, Maria Eduarda Barros e Mariana Monteiro
Fotos de Adriana Torres
Ascom Unilasalle-RJ

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