14/11/2018 - 20:17
Sob um mesmo céu: dia de ação no Pé Pequeno reforça laços com a comunidade

A subida demanda entrega e, quando se torna mais vertical do que horizontal, ou quando quem está nela para com o objetivo de recuperar o fôlego, o céu azul de esparsas nuvens brancas se apresenta imponente. Acalma o coração, em ritmo acelerado por conta do esforço. Nos dias anteriores, os tons eram escuros, as nuvens carregadas desaguavam no Pé Pequeno, no Unilasalle, no centro da cidade, na Região Oceânica, e por todo o lugar. Livia Ribeiro, àquela altura, já rezava. Não era a primeira vez que uma ação agendada estava na iminência de ser realizada em baixo de chuva. Mas, como das outras vezes, as orações da coordenadora do Setor de Ação Comunitária fizeram a previsão do tempo estar enganada. E no dia 10 de novembro, lá estavam os alunos terminando a caminhada até o alto da comunidade, rotina para quem faz o trajeto, mais de uma vez por dia, durante todo o ano. Na quadra de futebol, universitários e moradores se encontram: duas realidades sob um mesmo céu.

 

O céu que Raquel França Romão via da janela de casa na infância trazia consigo cores, cantos e encantos do Nordeste. A futura estudante de Pedagogia, de 31 anos, deixou a terra natal, Rio Grande do Norte, para constituir uma família com Antônio Lucena, integrante da Ação Comunitária. A decisão possibilitou o nascimento de Maria Flor há sete meses, e também a primeira participação de Raquel no dia de serviços oferecidos aos moradores do Pé Pequeno. “Eu colaborava com a ação social em bairros carentes de Natal junto da minha Igreja. É muito bom, me sinto um ser humano melhor por poder ajudar, mudar a vida de alguém”, contou Raquel, em entrevista ao site do Unilasalle-RJ.  

A ajuda é mais do que bem-vinda para Mary Goulart da Silva, dona de casa de 53 anos, 26 anos deles vividos no Pé Pequeno. Se na ação do primeiro semestre ela pôde ajudar a mãe doente – “Consegui levar remédios que são caros geralmente. Ao invés de gastar R$ 50 e pouco, eu pude pegar amostra grátis –, desta vez, destacou outros. “As roupas que são doadas para a comunidade ajudam muito também. A minha irmã mora na Palmeira, no Fonseca, e ela sente à beça. Quando ela viu a divulgação, disse que queria tanto tirar documento para o sobrinho dela, e lá na comunidade dela não tem”, atestou, “Estou há uns dois anos sem fazer mamografia e agora mesmo um senhor se aproximou de mim, me entregou um papel e me orientou a ir no posto de saúde e procurar atendimento na quadra da Viradouro. Só indo no posto é muito difícil de conseguir”.  

Os serviços a que se referiu Mary são a loja da Street Store, montada mais uma vez para que os moradores pudessem escolher até cinco peças, além de sapatos e acessórios; a presença da Fundação Leão XIII, que fez encaminhamentos para a retirada de documentos; e divulgação do movimento Outubro Rosa Niterói, cujo trabalho de prevenção do câncer de mama e de próstata é feito ao longo de todo o ano, como reiterou o fisioterapeuta oncológico Paulo Gonçalves. Sentada ao lado de Mary, a amiga Benedita de Miranda – “Mas, me chama de Bené” – fazia coro, fazendo observações aqui e acolá, como o fato da Escola La Salle Rio de Janeiro dar tranquilidade aos pais, fornecendo educação gratuita e em tempo integral às crianças.  

 

 

O céu de Bené muitas vezes está nublado. Sem plano de saúde, a dona de casa de 68 anos, tem tido dificuldades para marcar exames e o problema no olho, que precisa de acompanhamento, segue a espera dele. Mas Bené não fala das preocupações por muito tempo. Logo avista Carlos Fonseca, presidente da Associação de Moradores, o chama para sentar à mesa e não polpa elogios aos esforços que ele tem feito para a comunidade. Em pouco tempo, passa a se referir ao centro universitário. “Mesmo as pessoas que batalham para se formar, para ser alguém, têm que ser humildes, assim como vocês são, que estão aqui, com a maior humildade”, sintetizou.

Bené posa para foto com Paulo Gonçalves, que forneceu informações a ela e a amiga Mary sobre o câncer de mama

Samuel Brum, está neste processo de formação, profissional (atualmente, cursa o 4º período de Engenharia Civil), mas principalmente humana. Naquela manhã/tarde de sábado vivia pela segunda vez a experiência de se doar e muito receber da comunidade: “Eu posso um dia com a minha profissão causar um bom impacto na sociedade? Posso, mas não estou fazendo isso de imediato, estou me preparando para que isso aconteça. Então, a Ação Comunitária colabora para que eu seja mais altruísta agora. Sempre tive muito amor pelo voluntariado, fui voluntário permanente com a Livia, inclusive, e acho que no Unilasalle-RJ, ter a Ação Comunitária dá sentido ao fundo religioso por trás da instituição. Está na essência, ajudar o próximo como o fundador fazia”. Em 2017.2, quando teve sua estreia no Pé Pequeno, Brum deu suporte ao time da logística. Já no dia 10, sua missão era ajudar a cuidar das crianças, causa que abraçou com afinco, fosse brincando de bambolê, fosse integrando a corrida de saco.

 

Os pequenos receberam ainda tratamento dentário no local, aprenderam a fazer cafifa com Claudio Porto, responsável pela Street Store, ganharam brinquedos e pintura no rosto. As mulheres, por sua vez, para além das orientações acerca do câncer de mama, receberam corte de cabelo e escova com Vanuza Freitas. Os moradores ainda puderam aferir pressão, fazer currículo e ajudar os alunos do Escritório Modelo de Arquitetura e Engenharia Civil a montarem a horta comunitária. A Ação Comunitária no Pé Pequeno 2018.2 contou com a participação de 60 voluntários e mais de 300 atendimentos.  

No início da tarde, a despedida de mais um dia intenso de atividades veio com a imagem de meninos empinando suas cafifas. Elas rodopiavam, mudavam de curso, bailavam no ar. E, de repente, o céu ficou repleto das cores da infância que sonha.   

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Luiza Gould

Fotos de Fernando Talak, Luiza Gould e Lara Bernardo

Ascom Unilasalle-RJ

 



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