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Agora interdisciplinares e tendo a construção colaborativa como mote, as AIs fomentam a formação integral dos alunos

Em certo trecho de seu livro de 2011, Steven Pinker, psicólogo, linguista e professor da Universidade de Harvard, reflete sobre um dizer presente na fachada da Biblioteca Pública de Boston. Um dizer que correlaciona o bem comum à educação. O que seria educar? Para Pinker, é um ato que vai além do ensino das capitais de estados, por exemplo, envolve “compreensão dos princípios que fundamentam o governo democrático e a sociedade civil, capacidade de avaliar líderes e suas políticas, consciência da existência de outros povos, com suas diversas culturas, e a expectativa de que cada pessoa é parte de uma comunidade de cidadãos instruídos que compartilham esses mesmos entendimentos”. Aqui a educação é tomada como formação integral, aquela que propicia a visão de mundo abrangente por parte dos alunos, a observância de princípios éticos e valores morais, que contempla a constituição de cidadãos críticos, a consolidação da democracia. Por meio do novo Programa das Atividades Integradoras (AIs) do Unilasalle-RJ, os graduandos passam a ter uma formação ainda mais integral ao longo dos quatro ou cinco anos vividos na instituição.

Por meio das AIs, os discentes lassalistas recebem, desde 2017, um problema para solucionar ou um projeto para desenvolver, aplicando os conhecimentos adquiridos em disciplinas já cursadas. Até 2020.2, cada graduação utilizava as Atividades Integradoras à sua maneira, a partir de níveis de exigência díspares. Agora essas atividades foram institucionalizadas, passando a convergir para um único objetivo: a aprendizagem colaborativa em turmas mistas (contemplando alunos de variadas áreas), de forma a gerar experiências significativas aos estudantes, que possam ser levadas para além da sala de aula.

“A formação integral é muito falada no Ensino Superior, mas, muitas vezes, acaba não sendo executada, a Educação Básica parece conseguir tangibilizá-la melhor”, pontua Regina Helena Giannotti, pró-reitora acadêmica e responsável pelo novo Programa das Atividades Integradoras do centro universitário, “De alguma maneira, precisamos desenvolver em nossos estudantes uma visão mais ampliada da realidade em que estão inseridos, para que eles possam ser os agentes de modificação desta realidade a partir do conhecimento que acumulam no Unilasalle. Não se trata somente de transmitir um conteúdo que fará a diferença na vida do aluno, mas estimular a postura, a atitude que eles irão incorporar e refletir em suas ações”.


Na Atividade Integradora X, por exemplo, os estudantes serão estimulados a transformar o município em que vivem, relacionando conhecimentos sobre o Direito à Cidade com as suas áreas de formação, vivendo experiências de contato com populações marginalizadas que possuem este direito violado e, assim, sendo capazes de pensar/atuar criticamente na utilização e apropriação do espaço público. Conheça abaixo o que será trabalhado nas 10 atividades que compõem o Programa.

As Atividades Integradoras fazem parte da Política Institucional de Extensão Universitária e seu formato atende ao previsto na Resolução nº 7, de 18 de dezembro de 2018, em que o Ministério da Educação estabelece diretrizes para esse pilar do Ensino Superior. Uma delas é a obrigatoriedade de que 10% da carga horária curricular dos cursos de graduação seja destinada a atividades de Extensão, exatamente como passam a ser as AIs lassalistas a partir de agora. A Resolução também abarca oportunidades de concretizar alguns desejos antigos do Unilasalle-RJ, entre eles a existência de turmas mistas. De acordo com o inciso II do Artigo 5º, as instituições devem fornecer, por meio de suas atividades extensionistas, a formação cidadã dos estudantes de modo interprofissional e interdisciplinar. A interação com alunos de outros cursos se estende ainda àquela vivida com alunos do Ensino Médio, seja do ensino privado seja do ensino público. Logo no início do documento que reúne os planos de ensino das AIs, fica claro o interesse de estender o Programa para os secundaristas: “Tal proximidade é possível a partir das novas diretrizes da Base Nacional Curricular Comum (BNCC) do Ensino Médio que, além das disciplinas comuns da formação, faculta a estes alunos a possibilidade de incluir em seus itinerários formativos disciplinas eletivas (até 40% da carga horária), conforme suas afinidades”.

As AIs contarão com quatro encontros síncronos (aulas ao vivo) para o acompanhamento das ações e terão um espaço no Google Classroom. O cronograma de encontros é de livre escolha do professor facilitador, responsável por fomentar discussões e parcerias entre os estudantes para a construção de um produto final. O intuito é que os até 100 alunos inscritos em cada disciplina proponham soluções sempre tendo como objeto uma situação problema vivida no entorno. As metodologias empregadas serão essencialmente colaborativas: os graduandos irão se familiarizar com brainstorming, Jamboards (quadros interativos), Powtoon (vídeos animados online com duração de 1 minuto) e Trello (organiza trabalhos em equipes). “Queremos que o aluno se sinta desafiado para se envolver com o que foi sugerido, estando predisposto a agir”, sintetiza Regina Giannotti.

A pró-reitora Acadêmica também explica o novo processo avaliativo. As Atividades Integradoras continuam sendo obrigatórias, mas agora representam componentes de nota única: “O processo é o que realmente importa para a aferição de nota do aluno, e não as etapas. Então, se eventualmente algum estudante não alcançar a média necessária para a aprovação na Atividade Integradora, ele precisará refazê-la ao invés de passar por uma reavaliação”.

AIs baseadas em Linhas de Extensão, eixos formativos e áreas temáticas

Criado a partir de insights de vários lassalistas, o Programa das Atividades Integradoras que tem início neste semestre é fruto da correlação entre três fontes distintas: 53 linhas de Extensão que seguem referências nacionais + eixos de formação dialógicos com a identidade lassalista (Formação Humana / Formação Sócio-político cultural / Formação ético-identitária) + áreas temáticas sugeridas pelas coordenações de curso. Para compreender melhor como se deu na prática a formulação das AIs, voltemos ao exemplo da Atividade Integradora X. Ela nasce de quatro linhas de Extensão (11. Desenvolvimento Urbano; 12. Direitos Individuais e Coletivos; 36. Organizações da Sociedade Civil e movimentos sociais populares; 40. Questões ambientais) + dois eixos formativos (Formação Sócio-político cultural; Formação ético-identitária) + três áreas temáticas (Direitos Humanos e Justiça; Educação; Meio Ambiente). O cruzamento desses nortes leva à aprendizagem que busca aguçar nos estudantes o pensamento crítico sobre a cidade e o uso de seus espaços, a capacidade de relacionar o saber acadêmico com a cidadania, os saberes socioemocionais referentes à população marginalizada, a empatia e o entendimento sobre a apropriação dos espaços públicos.

À frente dessa atividade está o professor Diego Ramos. “Não se trata aqui apenas de pensar a cidade, a mentalidade, a caridade. Não se trata de uma disciplina, mas sim de uma oportunidade de agir. Estamos falando sobre civilidade, sobre a extensão da Atividade Integradora à comunidade, sobre mudança do mundo e de nós mesmos”, diz o docente em vídeo no qual convidou os alunos a participarem de live sobre o Programa no dia 22 de abril. Ao vivo, no Youtube do Unilasalle-RJ, a reitoria e os professores responsáveis por cada uma das AIs apresentaram as novas atividades e tiraram dúvidas dos graduandos. Conheça abaixo os principais questionamentos compartilhados e as respostas fornecidas na live.

Dúvidas frequentes

Até chegar à Atividade Integradora X, os graduandos poderão passar por uma série de outras. Primeiro, sugere-se ao estudante trabalhar leitura, linguagem e pensamento crítico, para ser capaz de apreender a realidade de novas maneiras. Em seguida, vem o lassalianismo, para conectá-lo a valores cruciais, à vontade de agir em prol do próximo e à missão que o torna parte integrante de uma comunidade internacional. Num terceiro momento, o foco será Projeto de vida e felicidade, para a definição de seus objetivos particulares. As atividades prosseguem até a que incute no aluno a responsabilidade sobre o lugar onde vive e a luta pela inclusão de todos neste espaço. Apesar de cada semestre ter a sua Atividade Integradora, os estudantes possuem liberdade para antecipar disciplinas ou cursar mais de uma simultaneamente, pois não há pré-requisitos para as AIs. Basta escolher as temáticas que mais agradam cada um. 

Lívia Ribeiro, coordenadora do Setor de Ação Comunitária, foi uma das idealizadoras das mudanças que passam a vigorar nas Atividades Integradoras e, em sua fala, resume o quanto se espera com elas:  “Há uma série de ferramentas, habilidades e competências que o aluno precisa ter individualmente para que esta seja uma ação que gere impacto real diante do esforço desenvolvido. Ao mesmo tempo, não pode um aluno lassalista duvidar que a justiça social seja um princípio, que os Direitos Humanos sejam um princípio. Estou apaixonada pelo que propomos, pois percebo que temos uma grande possibilidade de transformar vidas para além do que já fazemos. Quando entregamos um diploma estamos transformando vidas, mas quando formamos um sujeito em sua integralidade para que ele seja ativo na sociedade, transformamos ainda mais”.

Por Luiza Gould
Ascom Unilasalle-RJ

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