06/09/2018 - 17:24
Das experiências internacionais aos congressos: lassalistas de RI somam diferenciais na carreira

Um mês de trabalho em hostel no Chile. Ida à Argentina para participar de fórum sobre negócios. No Brasil, a oportunidade de debater sobre a defesa nacional em congresso das Forças Armadas. Alunos e egressos de Relações Internacionais tem seguido à risca um dos motes da aprendizagem no Unilasalle-RJ: pensar o ensino para além da sala de aula. Conheça nesta matéria como tem sido a participação dos futuros internacionalistas em atividades no Brasil e no exterior.

CHILE

Wanderlust é a palavra que designa o forte desejo de explorar o mundo, se aventurar, em busca do desconhecido. Apesar de não citarem o nome, foi este o sentimento que fez os xarás Bruno Amaral, do 6º período de RI, e Bruno Garcia, no 8º período do mesmo curso, embarcarem juntos para viagem de um mês ao Chile. Não pensaram duas vezes ao encontrarem o site worldpackers, em que os interessados se voluntariam para atuar em algum hostel ao redor do mundo, ganhando hospedagem gratuita. “O principal motivo foi o idioma. Queríamos, antes de terminar a faculdade, ter a experiência da prática do espanhol para além de cursos. Ao mesmo tempo, não era nosso objetivo passar apenas uma ou duas semanas, pois queríamos realmente conhecer a cultura do lugar, não apenas com o olhar de turista, mas com a oportunidade de conversar sobre questões locais. Entendemos que trabalhando seria a melhor maneira”, explica Amaral. E para “sair ainda mais da zona de conforto”, os discentes de Relações Internacionais resolveram se separar: enquanto Bruno Garcia optou por um “hostel bucólico, com apenas quatro quartos, um casarão”, Bruno Amaral ficou em hostel com mais de 500 hóspedes.

Na bagagem, os estudantes trouxeram de volta lembranças de apuros, como a amigdalite de Garcia durante a viagem, e a participação em uma manifestação sem saberem – “Me surpreendeu porque os chilenos são muito engajados nas questões políticas. Do primeiro dia ao último acompanhamos protestos. Em um deles, estávamos atravessando a rua quando vimos chegarem carros de bombeiros jogando água nas pessoas. Foi tudo muito rápido, quando vimos estávamos correndo no meio da confusão”, recorda Amaral. Mas também experimentaram situações mais tranquilas, como a visita ao Consulado do Brasil no Chile. “Fomos recebidos pelo secretário Daniel Szmidt no nosso último dia de trabalho, após enviarmos e-mails e fazermos ligações. Ele nos explicou, por exemplo, a diferença entre o trabalho desenvolvido pelo consulado lá e pela embaixada”, completa Garcia.

Para os discentes, investir em intercâmbio é a “chance de explorar as diferentes áreas que o curso de Relações Internacionais oferece, até para saber o que você vai querer no mercado de trabalho”, nas palavras de Amaral.

 

FÓRUM NA ARGENTINA

Recém-formada, Marcella Germano, de 22 anos, não pensa em parar de investir na formação. Pouco tempo depois de receber a imposição de grau, ela já participava do South America Bussiness Forum, realizado em Buenos Aires de 3 a 5 do mesmo mês. Em entrevista ao site do Unilasalle-RJ, ela conta sobre sua participação.

Unilasalle-RJ: O South America Business Forum (SABF) tocou num tema estratégico: o potencial de grupos influentes para lidar com decisões desafiadoras, que exigem maiores riscos e afetam diferentes esferas da sociedade. Para você, e depois do que ouviu, quais características devem ser desenvolvidas para ações mais assertivas em âmbito global? Como os alunos lassalistas podem se encaixar neste cenário, na sua opinião?

M.G.: Hoje enfrentamos um ambiente global que é volátil, incerto, complexo e ambíguo, o que exige um conjunto de habilidades diferentes das que eram requeridas no passado. O fórum em si seleciona jovens líderes. Manuel Álvarez Trongé, presidente do Educar 2050, e palestrante no SABF 2018, deixou a lição de que, para sermos líderes, precisamos de conhecimentos, habilidades, atitude e empatia, e que isso é um exercício de tempo. Temos que crescer como pessoa e desenvolver as três formas essenciais da inteligência humana: intelectual, emocional e exploratória. Precisamos de habilidades cognitivas, saber lidar com a ignorância e gerenciar a incerteza, pensando de forma criativa e inovadora. Precisamos nos conhecer, refletir sobre nossa própria experiência e prática cotidiana, regular as emoções, focar e perseverar em nossos objetivos, desenvolvendo interesses por assuntos maiores do que nós. As habilidades de comunicação transcultural, as excelentes habilidades de networking, a colaboração, influência interpessoal, o pensamento adaptativo, e a resiliência, também são características fundamentais para o destaque em âmbito global. Acho que para ser assertivo é fundamental possuir a habilidade de comunicação. Significa que você se expressa de maneira eficaz e defende seu ponto de vista, respeitando os direitos e crenças dos outros. Os alunos do Unilasalle têm o privilégio de estudar em uma instituição que valoriza o crescimento pessoal, assim como o profissional, que incentiva a leitura, a criatividade com o trabalho em projetos, a importância da moral e do respeito, que promove debates com o compartilhamento de opiniões pessoais. Todas essas são competências importantes para o século XXI.

 

Unilasalle-RJ: Fale um pouco sobre sua ida ao Congresso. Por que decidiu se candidatar? Como foi a seleção? De que forma se deu a sua participação? O que ele agrega à sua carreira?

M.G.: O tema de 2018 da SABF foi “The Power Paradox”, ou seja, o paradoxo de poder, que tratou do impacto da tecnologia na sociedade mundial atualmente, os desafios e mudanças que isso traz, a liderança em um mundo incerto, e sistemas que enfrentam a obsolescência. Eu tenho grande afeição por esse tema, tanto que minha monografia tem relação com o impacto do avanço tecnológico na sociedade e nas Relações Internacionais. Eu vi que seria uma oportunidade de expandir meus conhecimentos na área, fazer um bom networking e, claro, seria uma experiência maravilhosa para agregar ao currículo. Para quem desejar se inscrever, as inscrições ficam abertas por um mês, este ano foi no mês de abril. O processo foi um pouco trabalhoso, porque eles demandam suas informações pessoais, escolares, suas conquistas, experiência profissional (trabalho voluntário incluso), sua motivação para participar da conferência. Os 100 jovens selecionados assistem às palestras, participam das lições interativas, dos workshops e do momento de mentoria. Tem ainda uma festa, e claro, a possibilidade de fazer contatos durante todos esses dias. Bem memorável foi uma atividade que eles chamam de “SABF Spaces”, em que os participantes exploraram suas criatividades em várias salas. Eu fiquei bem cativada por uma com o título “Antes de morir... Before I die...”, em que tínhamos que escrever no quadro coisas que pretendemos e sonhamos fazer antes de morrer. Um dos momentos mais interessantes para mim, foi durante as sessões de workshop. Também escolhi participar do workshop com o professor da universidade de Georgetown, Sam Potolicchio, sobre “Influential Communication”. Neste workshop, o Sam nos colocou para analisar como se comportam e se comunicam com o público os presidentes americanos Barack Obama, Bill Clinton e George W. Bush. Para quem se interessar, eu fiz um post no LinkedIn sobre algumas lições que aprendi com o SABF.

 

 

Unilasalle-RJ: De que forma sua graduação em RI no Unilasalle-RJ te dá suporte para participar de experiências como esta?

M.G.: O profissional tem um perfil diferenciado. Possui compreensão, empatia e adaptação a culturas de diferentes povos, o que facilita o entrosamento em um evento internacional, além de proporcionar um melhor entendimento dos assuntos discutidos, pois este é capaz de simpatizar pela perspectiva do outro. Como analista internacional, tem capacidade para atuar no planejamento de ações econômicas, políticas, sociais, culturais, comerciais, de governos, empresas e organizações; possui uma preparação para contribuir em discussões e resoluções de problemas atuais, pois tem uma bagagem com entendimento de diversos setores. O aluno é afortunado por estar diariamente com professores de grande qualidade acadêmica, que trazem não só o conteúdo das matérias a serem estudadas, mas temas atuais diversos para serem debatidos e aprendermos a como lidar com eles.

 

Unilasalle-RJ: Como está a vida de egressa? Está trabalhando? Tem novos sonhos, objetivos?

M.G.: Assim que terminei a faculdade, recebi uma oferta para trabalhar no curso de inglês Cultura Inglesa e aceitei. Precisava de certa carga de horas de trabalho para a aquisição de um dos meus planos, que é tentar o mestrado fora, decisão essa tomada ao longo do meu último semestre do curso, e que possui um processo mais trabalhoso do que o nacional. Vou ficar lá até o fim do ano e vamos torcer para que a bolsa do mestrado saia.

 

CONGRESSO SOBRE DEFESA NACIONAL

O Ministério da Defesa, em parceria com as principais escolas de formação de oficiais das Forças Armadas, realizou a 15ª edição do Congresso Acadêmico sobre Defesa Nacional (CADN), em São Paulo, de 27 a 31 de agosto.  Os lassalistas marcaram presença nas palestras. Confira os depoimentos:

Carolina Marins, egressa. Formada em 2018.1

“Foi uma experiência única, desde o momento da aprovação do artigo até agora, quando não conseguimos parar de lembrar da semana incrível que passamos na Academia da Força Aérea. O XV CADN contou com uma programação bem eclética, envolvendo palestras, debates, apresentação de trabalhos e atividades socioculturais, como o clube de Airsoft que participamos e foi pura adrenalina. Ainda tinham atividades como caminhada ecológica, escalada, clube de debates em inglês, clube de orientação, clube de guerra cibernética, e também uma visita à fazenda da AFA, conhecida pela produção de iogurte, queijos, carne e cachaça. Conhecer um pouco dessa grande instituição militar e do seu corpo de cadetes foi o que tornou a experiência ainda mais rica”.

Isabelle Carvalho, egressa. Formada em 2018.1

“Minha experiência no CADN foi de extrema importância para que meus pensamentos acerca do poder militar brasileiro e dos assuntos de defesa nacional fossem enriquecidos. No Congresso, tivemos a oportunidade de acompanhar palestras de alto nível sobre assuntos pertinentes à temática principal, além de apresentarmos nosso artigo sobre a Defesa no Atlântico Sul na mesma mesa que a Escola Naval. Um ponto interessante e inovador dessa edição foi a inclusão da atividade de ‘debates’. Durante três dos cinco dias que passamos lá, tivemos a chance de estar em uma sala com cerca de 15 pessoas, dentre elas acadêmicos, representantes da Força Aérea, representantes da Marinha e representantes do Exército. Essa dinâmica possibilitou um intercâmbio maior de conhecimento entre os acadêmicos, que geralmente possuem o conhecimento teórico, e as Forças Armadas, com seu conhecimento prático, logístico e operacional”. 

Lorena Toffano, 6º período

“Por meio do congresso, conhecemos pessoas de diversas partes do Brasil, uma excelente oportunidade para fazer networking. Sem dúvidas, ao final do evento, saímos de lá com a consciência da importância do diálogo entre civis e militares, a fim de pensar e defender os interesses estratégicos brasileiros. Acredito que experiências como essa sejam fundamentais para a complementação da formação acadêmica”.

Lucas Costa, egresso. Formado em 2018.1

“Como internacionalista, a ideia de reunir todo o Brasil para um congresso é de encher os olhos, principalmente com a oportunidade da interlocução entre civis e militares. Esse foi o primeiro congresso acadêmico sobre o tema que participei e, até então, nunca havia estado em um ambiente militar. Com o XV CADN, pude debater sobre essa temática, que foge completamente da minha linha de pesquisa, e enriquecer meus pensamentos acerca do poderio militar brasileiro e das questões que abrangem a defesa em geral. Nunca imaginei que eu fosse ser tão bem recebido e acolhido. Eventos assim não são fundamentais apenas para a complementação da formação acadêmica, mas também são para o amadurecimento pessoal”.   

Isabelle Corrêa, 7º período

“Com o XV CADN saí da minha ‘bolha’. Assistindo de perto ao dia a dia dos militares, desfiz julgamentos prévios que tinha sobre as Forças Armadas. Para meu desenvolvimento acadêmico, a experiência foi enriquecedora, as palestras e apresentações de artigos sobre múltiplos assuntos ligados à segurança nacional, juntamente com os debates com os congressistas e acadêmicos ali presentes, só acrescentaram conhecimento para um assunto tão importante que é a defesa nacional”.

 

Por Luiza Gould

Ascom Unilasalle-RJ



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