31/08/2018 - 15:16
Alerta pela vida: Psicólogo do Unilasalle-RJ fala sobre o suicídio, tema em foco no Setembro Amarelo

“A morte é um silêncio. Quando alguém opta por ela, existe um processo anterior de grande sofrimento, não é uma escolha simples, rasa”. Na trama da vida, abordar a morte, ainda mais sendo ela intencional, é assunto não raro evitado, mas para o psicólogo Julio D’Amato, o tema não só precisa estar em pauta como exige a saída do senso comum. Neste sábado tem início o mês voltado à prevenção do suicídio, o Setembro Amarelo, e o Unilasalle-RJ embarca na campanha. Confira nesta matéria entrevista sobre o assunto com o docente e conheça mais acerca do Núcleo de Apoio Psicopedagógico ao Estudante. O espaço coordenado por D’Amato há 13 anos dá suporte aos alunos que procuram apoio psicológico.        

Unilasalle-RJ: Qual a importância de um mês dedicado às reflexões em torno do suicídio?

J.D.: O Setembro Amarelo surge a partir de outros meses com o olhar voltado a algum tipo de preocupação na área da saúde, como o Outubro Rosa (prevenção ao câncer de mama) e o Novembro Azul (prevenção ao câncer de próstata). Alguns órgãos como a Associação Brasileira de Psiquiatria, o Centro de Valorização da Vida e o Conselho Federal de Medicina começaram a incentivar a ideia de um momento no ano para pensar mais especialmente a questão do suicídio. Existe uma preocupação em abordar o tema primeiro porque estamos vivendo em uma sociedade com tantos problemas, como já sabemos, em nível consciente. Depois, por conta das questões individuais, que muito concorrem para que as dificuldades de ordem psíquica surjam.

Unilasalle-RJ: O suicídio está muito atrelado à depressão, envolta, por sua vez, em uma série de tabus. Fale um pouco sobre esta conexão.

J.D.: Depressão não é tristeza. Eu costumo dizer que existe um esvaziamento do sujeito. A depressão não é uma doença de ‘pessoas fracas’, outra percepção enganosa de muitos. Dar fim à própria vida, se autofinalizar como vida, não é uma falta de caráter ou força. Eu vejo que é preciso um compromisso, uma obrigação da sociedade em torno do cuidado junto a quem começa a sinalizar aproximação com o quadro depressivo. Existe na condição humana perigos iminentes que devem ser observados com atenção. A morte é um silêncio. Queremos ficar vivos, por mais que saibamos que um dia vamos morrer. Quando alguém resolve optar pela morte é porque existe um ‘não suporto mais’, um processo anterior de grande sofrimento. É muito leviano acreditar que se escolhe pela vida de forma tão simples, rasa. Sempre haverá muitas variáveis que desconhecemos. O que é não estar no gozo de suas faculdades mentais? Será que é apenas o momento do surto psicótico? Existe uma continuidade, um processo envolvido. A pessoa não estava ótima e, de repente, pulou do 8º andar. É muito comum a ideação suicida não ser percebida por quase ninguém. Todos nós fomos acostumados a manter uma aparência saudável para sermos aceitos, fazemos de tudo para que os outros não reconheçam em nós aquilo que não queremos que reconheçam. Somos absolutamente falíveis, mas escondemos, interpretamos personagens. Vamos trocando os papeis sociais, como bons atores que somos.

Unilasalle-RJ: Como é a atuação do Núcleo de Apoio Psicopedagógico ao Estudante?

J.D.: Trabalhamos com a demanda espontânea. O aluno que precisa, pode nos procurar a qualquer momento. Não é um processo terapêutico formal, é uma conversa que, se necessário for, vai indicar algum caminho de tratamento. Sinto que os nossos papos aqui, em vários casos, têm dado conta de sofrimentos, pelo menos no sentido mais pontual. Quando o aluno se vê acolhido pela instituição, já se tem aí o primeiro passo para ajudá-lo. Alunos me procuram pensando em abandonar a graduação e acabam desistindo ou começam a lidar com suas experiências de vida de forma diferente. Às vezes nos trazem resultados, nos dizem que têm suas questões melhor equacionadas. Claro que não tem como pensar em dar conta de tudo, mas num bom número de vezes conseguimos dar o apoio necessário. Está muito difícil hoje ser adulto, idoso e jovem também. A preocupação é tão grande com a questão da saúde mental, que na faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense, por exemplo, já foi criada disciplina para abordar a espiritualidade, tentando dar algum suporte maior às pessoas que lidam com suas próprias dores e as dores dos outros.  

NÚCLEO DE APOIO PSICOPEDAGÓGICO AO ESTUDANTE (NAPPE)

Responsável: Julio D’Amato

Localização: 4º andar do Bloco A junto às coordenações de cursos de graduação.

Contatos: 999869272 / juliodamato@uol.com.br

Os atendimentos devem ser agendados previamente com o psicólogo.

 



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