Universidade La Salle recebe Audiência Pública com tema “Análise da Violência contra a População LGBT”

Universidade Comunitária. O que te vem à mente quando lê isso? Para a Universidade La Salle, essa definição é bastante prática: portas abertas para a comunidade, a fim de fomentar o desenvolvimento econômico e social local, além da construção engajada de conhecimento e de uma sociedade mais humana.

Por isso, na noite dessa segunda-feira (29), a Instituição recebeu a Comissão Especial da Assembleia Legislativa para Análise da Violência Contra a População LGBT, para a realização de Audiência Públicasobre o tema. O evento foi coordenado pela deputada estadual Luciana Genro (PSOL), que preside a Comissão.


Análise de cenário

Uma pesquisa realizada no segundo semestre de 2018 apontou números que, de acordo com a deputada, não são novidade, porém, assustam. “Os principais cenários de violência contra a comunidade LGBT foram os públicos, como comércio, ruas, lugares comuns, com 46% de ocorrências denunciadas em comparação a outros ambientes como familiar, trabalho”, apontou a deputada.

“Direitos humanos não é para os fracos, principalmente se considerar a luta e esforço da comunidade LGBT pelos seus direitos”, declarou Bianca Hilgert, representante da Comissão da Diversidade da OAB. Ela afirmou que Canoas tem andado numa briga ferrenha para implementar políticas públicas para a população LGBT e os principais crimes que são cometidos contra a comunidade: “ não dar serviço de saúde gratuito e de qualidade, negar trabalho por preconceito e negar educação, já que os LGBTs ainda desistem da escola por causa da violência. Precisamos superar o tempo de somente sobreviver. Precisamos passar a usufruir dos mesmos direitos de viver plenamente”, ponderou.

Grupos independentes de militância também estiveram representados, como Mães pela Diversidade, pela fala de Neca Nazário. O grupo foi criado politicamente para ajudar filhos e filhas, proteger e garantir políticas públicas pela saúde e segurança. Ela explicou: “damos acolhimento aos pais e mães também. Para nós é desesperador toda vez que temos que pedir ajuda para que eles possam viver a vida como uma pessoa qualquer. Eles não estão sós, têm famílias, e não vamos aceitar nenhum tipo de discriminação”.

E quem vive no contexto de violência? Natasha de Ferreira, mulher trans integrante do Emancipa Mulher, compartilhou seus anseios, medos, histórias e desejos. Veja o relato:

“Nós vivemos de números. Ainda estamos calculando quantas de nós morrerão até o final do ano e não quantas terão o direito de viver. Enquanto continuarmos computando esses números, sem utilizá-los para construir políticas públicas, eles continuarão representando somente os assassinatos de mulheres trans, das populações periféricas, das pessoas LGBT fora da rede básica de ensino e faculdades. Aqui, na universidade, existe pesquisa sobre esse contexto e que pode ser usada pelo Estado para mudar essa realidade. Nós continuaremos lutando pela mudança, pela nossa vida e para que momentos como esse continuem acontecendo”.

Da La Salle para (transformar) o mundo

A audiência pública na Universidade foi a primeira de uma série que acontecerá pelo interior do Rio Grande do Sul para dialogar com prefeituras, órgãos de segurança pública e movimentos sociais.

Entre os profissionais que integram a comissão está a ex-aluna do Mestrado em Direito da Universidade La Salle, Tamires Garcia. O convite para integrar o grupo surgiu após a apresentação da sua dissertação de Mestrado, com o tema “Violência contra população LGBT e política criminal da Polícia Civil do RS”. Ela também colaborou com a construção do Plano de Trabalho da Comissão.

Neste sentido, o Prof. Me. Cássio Cassel, que é Coordenador Acadêmico de Pós-graduação Lato Sensu, afirmou: “a universidade tem um papel fundamental e precisa se colocar como protagonista promovendo debates, expondo o ambiente de privilégio de oportunidades para transformar essa realidade. Tem papel de ensino, pesquisa e acolhimento de quem passa por situação de violência ou isolamento”.

A Universidade La Salle acaba de aprovar o curso de Pós-graduação Lato Sensu Diversidade nas Organizações, pioneiro no Brasil voltado para o assunto. Isso aconteceu no mesmo período em que a Instituição passou a integrar o Pride Connection. Trata-se de uma rede que reúne empresas que buscam promover espaços de trabalho mais inclusivos.

“Essa audiência acontece num momento que, para nós, é desafiador. Essa é uma casa diferenciada. Lutamos pelos direitos humanos, diversidade e justiça social. Temos esse olhar em Canoas, por onde passamos e construímos”, concluiu o Prof. Dr. Márcio Michel, Diretor de Extensão e Pós-graduação Lato Sensu da Universidade La Salle.

Confira os melhores momentos AQUI.



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