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TÍTULO INÉDITO DA JORNALISTA TAMBÉM REPRESENTA UM MARCO INSTITUCIONAL PARA A UNIVERSIDADE, SENDO A PRIMEIRA MULHER AGRACIADA COM A HONRARIA.

Em uma noite marcada por emoção e reconhecimento, a Universidade La Salle concedeu à jornalista e escritora Míriam Leitão o título de Doutora Honoris Causa, a mais alta distinção acadêmica da instituição, sendo a primeira mulher agraciada pela universidade. A honraria foi entregue durante cerimônia solene realizada na quinta-feira, 9 de outubro, no Salão de Atos da Unilasalle, em Canoas, integrando a programação da Semana Acadêmica de Pesquisa, Inovação e Extensão (SAPIENS).

Reconhecida como uma das mais influentes vozes do jornalismo brasileiro, Míriam Leitão foi homenageada por sua trajetória intelectual e ética, marcada pela defesa da democracia, da liberdade de expressão e da responsabilidade social. Aos 72 anos, recentemente eleita para a cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras (ABL), a jornalista foi celebrada por estudantes, professores, autoridades e membros da comunidade que lotaram o auditório para o evento.


Na leitura do laudatio, discurso que celebra e homenageia a pessoa agraciada, a professora doutora Lúcia da Rosa, coordenadora do Programa de Pós-graduação de Memória Social e Bens Culturais da Unilasalle e professora do curso de Letras, patronesse da Feira do Livro de 2024 da cidade de Canoas, exaltou as contribuições e méritos que levaram à escolha unânime da homenageada da noite, destacando também suas obras literárias, sua produção intelectual e seus ensinamentos para a sociedade, além da sua trajetória pessoal. “No jornalismo e na literatura, a palavra se descobre e se desfaz, potencializando uma ideia, uma crítica, uma análise, uma arte com profundidade. Esses elementos, juntamente com as memórias da sua trajetória, estão presentes na sua vida pública de seriedade e de visão de mundo. Sua casa e sua família a levaram para a ABL e lhe trouxeram hoje também para essa casa”, saudou a professora.

Especialista no uso das palavras, Míriam utilizou da sua arte para tecer agradecimentos pelo título recebido, emocionando-se com as justificativas apresentadas. “É uma alegria inédita na minha vida, nunca recebi tal honraria acadêmica, uma sensação de realização. Eu fui vista, reconhecida. Especialmente me toca a força do sonho da inclusão de mulheres em espaços de poder e prestígio. E, nesse momento, estou sendo a primeira mulher homenageada com o título. É difícil achar as palavras para agradecer esse carinho, mesmo para quem trabalha com elas. A Unilasalle e eu temos os mesmos sonhos, defendemos os mesmos valores da democracia, com inclusão e sustentabilidade. Acreditamos que a educação é a melhor arma para esse projeto. E por isso é tão honroso estar ligada a partir dessa noite a essa instituição”, destacou Míriam.

A SAPIENS deste ano trouxe como tema central a “Inovação Social e Urbana: construindo soluções sustentáveis para desafios coletivos”, elogiado pela homenageada da noite. “Quero cumprimentá-los pelo tema da semana acadêmica pois é o que precisamos no momento. Essa é a urgência. Estudos recentes apontam que a grande maioria dos municípios não tem planos de adaptação e nem recursos para o enfrentamento das tragédias climáticas. O tema é absolutamente central”, reforça. Outro ponto destacado pela jornalista é o esforço coletivo necessário para que mudanças concretas ocorram. “O nome do novo tempo é ‘inclusão’. Essa é de fato a minha certeza. Nós temos que incluir. A desigualdade nos sabota, nos tira a força. É preciso também reduzir os conflitos de correntes políticas. Sempre houve divergências, mas bem distante da polarização e das ondas de ódio que tanto tem nos machucado. É preciso superar o que nos divide para construir soluções duradouras. Estamos diante da emergência climática e não mais das mudanças climáticas. A luta pelo impossível é no que precisamos nos abraçar nesse momento”, finaliza Míriam.

Marco Acadêmico

Ocupando a cadeira de número 7 na ABL, Míriam Leitão ainda destacou a coincidência envolvendo o número na sua trajetória de vida, sendo a sétima pessoa a receber o título de Honoris Causa pela universidade. Para o reitor da Unilasalle, professor doutor Ir. Cledes Casagrande, a homenagem representa um marco institucional em favor da valorização das vozes femininas e da promoção da paridade de gênero no ambiente acadêmico.

“A trajetória de Míriam Leitão, reconhecida escritora brasileira, com vasta contribuição ao jornalismo, à cultura, à defesa do meio ambiente, à democracia e aos direitos humanos, espelha o compromisso que assumimos aqui na universidade com a cidadania, a liberdade de expressão, a verdade, o respeito a natureza e a formação crítica dos nossos estudantes. Em um cenário recente de desafios à informação, de pós-verdade, de fake news, sua doação é um exemplo de jornalismo ético, baseado em dados, análise profunda e responsabilidades. Essa busca pela verdade factual e crítica é a base da educação de qualidade que a Unilasalle se propõe a oferecer aos estudantes”, celebra o reitor.

A cerimônia contou com a presença da Orquestra Jovem do RS, projeto social da Fundação O Pão dos Pobres, parceira da Unilasalle, que emocionou o público com uma apresentação especial. Na sequência da programação da noite, a diretora de Graduação, Cristiele Magalhães Ribeiro, e o diretor de Pós-graduação, Pesquisa e Extensão, Cássio Cassel, conduziram um momento de bate-papo com Míriam Leitão, reproduzindo perguntas previamente organizadas por professores e alunos da Instituição e também pelos convidados presentes. Antes da outorga do título, Míriam ainda participou de uma sessão de autógrafos de suas obras e das publicações de seu marido, o cientista político e escritor Sérgio Abranches.

Diversas autoridades prestigiaram o momento solene, incluindo o presidente da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, professor emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutor Gilberto Schwartsmann, também representando a reitoria da UFRGS; a pró-reitora de Pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Adriana kampff; o vice-presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, professor doutor Dani Rudnicki; o diretor do SESC Canoas, Cleberli Fabiano Costa de Arruda; o gerente geral do Pão dos Pobres, João Rocha; a gerente executiva da ADVB, Mastrângela Teixeira; a presidente da Casa do Poeta de Canoas, Maria Luci Cardoso Leite; o representante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), Roque Reckziegel; o presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), José Maria Rodrigues Nunes; além de jornalistas, membros do Conselho Universitário da Unilasalle, professores e alunos dos cursos de graduação e pós-graduação da Unilasalle e de outras instituições de ensino superior do Rio Grande do Sul e demais membros da comunidade.

Inovação Social e Protagonismo Acadêmico

A outorga do título integrou a programação da SAPIENS 2025, que, de 6 a 10 de outubro, reuniu milhares de participantes em atividades voltadas à pesquisa, extensão e inovação. Com o tema “Inovação Social e Urbana: construindo soluções sustentáveis para desafios coletivos”, o evento consolidou-se como o maior encontro acadêmico do Unilasalle, reunindo ensino, ciência e comunidade em uma agenda de cinco dias.

Foram realizadas centenas de atividades gratuitas, entre oficinas, palestras, feiras e debates sobre temas como inteligência artificial, sustentabilidade, migrações humanas, empreendedorismo e cultura. A programação também contou com uma Feira de Empreendedores, com mais de 40 iniciativas locais, Feira do Livro, Tour histórico pelo campus, Batalha de E-Games, Arena ADVB, Escape Game, Competição de Robótica e apresentações culturais.

Sobre Míriam Leitão

Nascida em Caratinga (MG), Míriam Azevedo de Almeida Leitão é jornalista com carreira que ultrapassa cinco décadas. Atuou em veículos como O Globo, GloboNews e CBN, e é autora de 16 livros nos gêneros de não ficção, literatura infantil e crônica. Entre seus principais temas de reflexão estão a economia, a política, a cultura e a história do Brasil contemporâneo.

Durante sua trajetória, enfrentou momentos marcantes da história nacional, como a ditadura militar e a redemocratização, mantendo-se fiel à defesa dos valores democráticos e do papel social do jornalismo. Sua recente eleição à Academia Brasileira de Letras simboliza a valorização da diversidade e da representatividade no campo cultural brasileiro.

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